No dia de hoje, 19 de junho de 2026, a Unicamp, por meio da Pró-Reitoria de Graduação (PRG), deu um passo significativo nas discussões para a estruturação de sua Política Institucional de Formação de Professores. Em encontro virtual intitulado “Construção e implementação de uma Política Institucional de Formação de Professores: trajetórias, princípios, desafios e perspectivas”, promovido pelo Grupo de Trabalho (GT) de Formação de Professores — instituído pela Portaria GR nº 16/2026 para estudar e propor as diretrizes da universidade voltadas à Educação Básica —, os(as) membros(as) receberam a professora Carmen Teresa Gabriel, coordenadora institucional do Complexo de Formação de Professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O objetivo central do encontro foi compartilhar o histórico de dez anos de concepção e a consolidação da experiência fluminense para inspirar os caminhos da Unicamp na superação da fragmentação de seus modelos atuais e na melhor capilarização de suas iniciativas de licenciatura.
Formação docente como política estratégica e institucional
A abertura do evento foi conduzida pela pró-reitora de graduação e presidente do GT, professora Mônica Alonso Cotta (PRG), acompanhada pelo vice-presidente do grupo, professor Arnaldo Pinto Júnior (Assessor do Gabinete do Reitor). Mônica e Arnaldo enfatizaram a necessidade de criar uma diretriz geral e estruturada na universidade. Complementando essa visão, a assessora da PRG, Jacqueline Peixoto Barbosa, ressaltou que, embora a Unicamp possua boas iniciativas isoladas, o grande desafio é a articulação institucional duradoura e o fortalecimento das parcerias com as redes de educação básica.
Em sua fala, a professora Carmen Teresa Gabriel contextualizou que o Complexo da UFRJ, institucionalizado em seu Conselho Universitário (Consuni) em 2018, não deve ser visto como um “modelo pronto”, mas sim como um movimento contínuo e uma experiência política de gestão. Um dos pontos mais debatidos foi a histórica tensão interna nas universidades entre as faculdades de educação e os institutos de origem das áreas/disciplinas, nos quais as licenciaturas frequentemente ocupavam/ocupam um papel secundário em relação aos bacharelados e à pesquisa. Segundo a professora Carmen, o papel de uma política institucional é justamente deslocar a área de educação do papel de mera “prestadora de serviços” e alçá-la à condição de parceira horizontal das demais unidades.
Princípios e o conceito de “Casa Comum”
A experiência compartilhada pela UFRJ fundamenta-se em três princípios básicos: horizontalidade, pluralidade e integração. Inspirada por reflexões do professor António Nóvoa, que participou do início do projeto no Rio de Janeiro, a estrutura adota o conceito de “Casa Comum” — concebida como um princípio político e um espaço democrático de decisão coletiva entre a universidade e a escola básica, combatendo a homogeneização e a hierarquização de saberes e respeitando as especificidades de cada licenciatura. Para a professora Carmem, a integração da Universidade com a rede de Educação Básica não diz respeito à construção de pontes entre dois projetos estabelecidos – de universidade e de escola -, mas à construção de um terceiro lugar, construído a partir da incompletude dos dois.
Para Nóvoa (2019), é fundamental a existência, nas universidades de uma casa comum da formação e da profissão, isto é, de um lugar de encontro entre os professores universitários que se dedicam à formação docente e os professores das redes. Essa casa comum é um lugar universitário, mas tem uma ligação à profissão, o que lhe dá características peculiares, assumindo-se como um terceiro lugar (…). Nesta casa comum faz-se a formação de professores ao mesmo tempo que se produz e se valoriza a profissão docente.
Durante a sessão de debates, os membros do GT, constituído por coordenadores de cursos de licenciatura, representantes da reitoria e das pró-reitorias, da Faculdade de Educação (FE), da Comissão Permanente de Formação de Professores (CPFP), da Comissão Central de Graduação (CCG), dos colégios técnicos, da Diretoria Executiva de Apoio e Permanência Estudantil (DEAPE) e do Espaço de Apoio ao Ensino e Aprendizagem (EA2), discutiram temas complexos como a operacionalização dos estágios supervisionados, a descentralização de recursos, a construção de horizontalidades internas e com as redes e a importância da inclusão ativa da representação estudantil na construção da política universitária.
Próximos passos
O encontro reforçou o necessário alinhamento da Unicamp com as redes estadual e municipais da Região Metropolitana de Campinas e o acesso a outras experiências institucionais, visando construir um ecossistema formativo maduro. Como encaminhamento prático, o grupo de trabalho continuará a colher subsídios externos e a fazer discussões internas para a redação do documento de base da política institucional de formação de professores. No dia 26/06, o GT recebe convidados da UNESP para uma conversa por videoconferência com a mesma temática. Para o final de agosto/início de setembro, o GT está organizando um evento presencial com convidados externos e com as redes de ensino.
