Comunidade Acadêmica,
Ao longo da última semana, a Pró-Reitoria de Graduação (PRG) acompanhou os desdobramentos da greve dos servidores e da paralisação estudantil, mantendo diálogo aberto com os coordenadores de Graduação, os diretores das Unidades de Ensino, Pesquisa e Extensão e demais instâncias da Universidade. As discussões realizadas neste período evidenciaram a heterogeneidade das experiências vivenciadas pelos diferentes cursos de Graduação e suas Unidades.
A PRG reconhece a legitimidade das manifestações e dos processos de mobilização promovidos pelos diferentes segmentos da comunidade universitária, bem como a importância do diálogo e da negociação como instrumentos fundamentais para a construção de soluções coletivas. Nesse contexto, reforçamos a importância da participação de toda a comunidade em suas respectivas instâncias e assembleias deliberativas. Por outro lado, a PRG observa com preocupação os impactos crescentes decorrentes do prolongamento do movimento, que já afetam significativamente estudantes, servidores e a comunidade externa atendida pela Universidade, como apontado nas reuniões realizadas com as coordenações e diretorias das Unidades.
Entre estes impactos destacam-se o adiamento da conclusão de curso de centenas de estudantes, com potenciais repercussões sobre sua inserção profissional e continuidade da formação acadêmica; prejuízos à participação em processos seletivos de pós-graduação, programas de intercâmbio e oportunidades profissionais no Brasil e no exterior; riscos à manutenção de contratos de estágio, trabalho e bolsas acadêmicas; além de incertezas relacionadas à mobilidade internacional. Neste último caso, o prolongamento da paralisação poderá impedir que estudantes estrangeiros atualmente matriculados na Unicamp concluam adequadamente as atividades previstas antes do término de seus vistos, períodos de intercâmbio ou compromissos assumidos junto às instituições de origem. Da mesma forma, estudantes da Unicamp com intercâmbios programados para os próximos meses poderão enfrentar dificuldades relacionadas ao cumprimento de requisitos acadêmicos e à validação de créditos. Além dos prejuízos individuais à formação desses estudantes, tal cenário pode gerar impactos institucionais relevantes, comprometendo cronogramas estabelecidos em acordos de cooperação internacional e afetando a credibilidade da Universidade junto a instituições parceiras no exterior, com potenciais reflexos sobre futuras oportunidades de intercâmbio e colaboração acadêmica internacional.
Também se observam impactos significativos sobre atividades práticas indispensáveis à formação dos estudantes, estágios curriculares obrigatórios, trabalhos de campo, projetos de iniciação científica, trabalhos de conclusão de curso e demais atividades acadêmicas que dependem de cronogramas específicos e cuja reposição se torna progressivamente mais complexa à medida que a paralisação se prolonga. Adicionalmente, a interrupção ou redução de atividades tem afetado ações extensionistas e assistenciais, serviços prestados diretamente à população e importantes parcerias institucionais mantidas pela Universidade com escolas públicas, instituições de ensino técnico, órgãos governamentais, empresas e organizações da sociedade civil.
Há ainda a situação de professores especialistas visitantes, pós-doutorandos e outros profissionais com vínculos temporários que atuam na graduação, cujos contratos poderão se encerrar antes da conclusão das atividades acadêmicas planejadas, ampliando os prejuízos para estudantes, cursos e Unidades.
Temos, portanto, uma crescente preocupação com os desafios de reorganização acadêmica que poderão recair sobre docentes, servidores e coordenações de curso. À medida que o movimento se prolonga, ampliam-se os riscos de comprometimento do planejamento acadêmico, do cumprimento adequado do semestre letivo e da continuidade de atividades institucionais estratégicas. Também merece atenção o impacto que a interrupção prolongada de serviços, atendimentos e projetos pode causar junto à sociedade, afetando a percepção pública acerca da capacidade da Universidade de cumprir sua missão de formação, produção de conhecimento e prestação de serviços à população.
A situação demanda atenção especial em algumas Unidades. Nos cursos dos campi de Limeira, onde a paralisação teve início formal em 05 de maio, o prolongamento das interrupções começa a representar riscos concretos ao cumprimento das atividades previstas para o semestre letivo, exigindo acompanhamento permanente da evolução do cenário acadêmico.
Deste modo, a Pró-Reitoria de Graduação reitera sua expectativa de que as negociações previstas para os próximos dias avancem de forma construtiva, permitindo a normalização das atividades acadêmicas e administrativas. Reafirmamos nossa preocupação com os efeitos acumulados da paralisação sobre estudantes, servidores, docentes, usuários dos serviços prestados pela Universidade e sobre a imagem institucional da Unicamp perante a sociedade, cuja confiança constitui elemento fundamental para a sustentação de sua missão, mediante o uso responsável de recursos públicos.
